quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

IMPERTINÊNCIAS 67


Incandescências


Eis que aprendi
Nesses vales onde afundam os poentes:
Afinal, tudo são luzes
E a gente se acende é nos outros.
A vida é um fogo,
Nós somos suas breves incandescências.

(Mia Couto)

domingo, 11 de janeiro de 2009

IMPERMANÊNCIAS 67


Hapiness is the road


The greatest blessing that we have
Is the dawn of each new day
A chance to finish what we started
And made a mess of yesterday
As day comes out of night
A chance to get it right
A chance to start again
A chance to get it right
...
Hapiness is the road
Happiness aint at the end of the road
Happiness aint at the end of the road
Happiness is the road
The road

(h.)

sábado, 10 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

IMPERMANÊNCIAS 66



Cachoeira do Rio dos Pardos



União da Vitória - Paraná



35 metros de altura

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

IMPERTINÊNCIAS 65



Cachoeira do Rio Bonito





União da Vitória - Paraná





20 metros de altura

domingo, 4 de janeiro de 2009

IMPERMANÊNCIAS 65

Deus absconditus, deus otiosus



Minha alma troca de pele
Assim como fazem as cobras.
Os dentes continuam afiados
O veneno fica ainda mais forte.

De tudo o que vamos deixando
Para trás por esse caminho,
As nossas verdades mais puras
São aquilo que permanece em nós.

Mudamos de idéia, de casa,
De par, de personalidade,
De sonho e até mesmo de nome,
E o veneno fica ainda mais forte.

...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

IMPERTINÊNCIAS 64



Homo Viator


Somos todos Ulisses
(grego ou irlandês).
Viajamos pela vida
E, nos encontros,
Trocamos notas
De diários de bordo.
Nos reconhecemos.

Eu a vejo no caminho
O olhar doce
E o sorriso dela
Fazem com que
A minha alma
Se sinta em casa.
Nossa casa é o novo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

IMPERMANÊNCIAS 64


Music Swims Back to Me

(Anne Sexton)



...

Imagine it. A radio playing
and everyone here was crazy.
I liked it and danced in a circle.
Music pours over the sense
and in a funny way
music sees more than I.
I mean it remembers better;
remembers the first night here.
It was the strangled cold of November;
even the stars were strapped in the sky
and that moon too bright
forking through the bars to stick me
with a singing in the head.
I have forgotten all the rest.

...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

IMPERTINÊNCIAS 63


Navalha de Ockham




"The main thing that I learned about conspiracy theory is that conspiracy theorists actually believe in a conspiracy because that is more comforting. The truth of the world is that it is chaotic. The truth is, that it is not the Jewish banking conspiracy or the grey aliens or the 12 foot reptiloids from another dimension that are in control. The truth is more frightening, nobody is in control. The world is rudderless."

(Alan Moore)

domingo, 28 de dezembro de 2008

sábado, 27 de dezembro de 2008

IRIDESCÊNCIAS 6


El dia que me queira



(Continuação da série de posts “IRIDESCÊNCIAS”)


Pepita Gonzales caminhou pelas estradas fugindo de sua própria imagem durante dias. Quando passava por alguma pequena cidade, evitava as vitrines onde, muitas vezes, o vidro refletia seu rosto e seu corpo. Estava triste, se sentia só, faminta, gorda e com a sobrancelha malfeita.

Só se sentiu melhor quando parou em frente aos enormes portões do Spa Beleza Beautifull, com seus jardins cheios de flores e atendentes cheias de sorrisos. Ali, pensou Pepita, poderia se tornar uma pessoa digna de ser olhada. Poderia tirar novas fotos e espalhá-las pela internet nos seus perfis de Orkut, My Space, Flickr, Facebook, Twitter, Crapshook e muito mais.

A grã-esteticista do Spa Beleza Beatifull, Donana Marzipan, era uma mulher ocupada, mas abriu um pequeno espaço em sua agenda Hello Kitty para receber Pepita.

- O mais importante é a beleza interior – observou Donana, lixando a pontinha da unha do dedo indicador que lhe pinicava cada vez que ela coçava o ouvido.

- É mesmo? – duvidou Pepita.

- Mas como ninguém enxerga mesmo dentro de você, a não ser o operador de raio-x, vamos fazer alguma coisa para melhorar esse visual.

- O quê, o quê?

- Alinhamento de silicone, botox retrofacial, peeling ornamental, buço permanente, chapinha balinesa e depilação ergométrica.

- Uau – suspirou a moça, já se imaginando toda repaginada.


(Continua na série de posts “IRIDESCÊNCIAS”)


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

IMPERMANÊNCIAS 63


Os olhos



"Quem luta contra monstros deve velar para que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E, se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olhará para dentro de ti"

(Nietzsche)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

IMPERTINÊNCIAS 62


Interiores



Fechado em sua concha áspera, mas sem nunca deixar de ouvir o rugido do mar revolto lá fora, Antonio prosseguia seu trabalho no casarão. Fazia suas refeições em separado. Muitas vezes, até, fechado em seu quarto, conversando apenas com Laura, quando queria algo da casa, e com Augusto, nas horas de trabalho. Nestes dias não via Letícia, nem Theodoro, nem Arthur, numa vida quase monástica.


Lia muito. Levava os jornais para o quarto à noite e pegava muitos livros da imensa biblioteca de Augusto Orsini. Mas fugia de temas que o fizessem pensar demais. Gostava de biografias antigas e livros de história, fazendo do passado antigo a maior parte do seu presente.


O inverno de Curitiba era frio e seco, com belas manhãs de sol. Nos finais de semana, saía a caminhar pela cidade. Andava um pouco de bonde. Via centenas de rostos diferentes. Eram pessoas que viviam e quantas - ele pensava - não estavam mortas e enterradas como ele. Quantas haviam escolhido, como ele, aquele caminho. E quantas, também como ele, não haviam sido levadas a isto pela vida.


Mas a maior parte das pessoas parecia feliz e, portanto, não sentia a mesma dor incômoda. Que tipo de droga anestésica milagrosa - pensava - poderia fazer isso? Será que havia alguma forma de apagar isso, como quem apaga um lampião de gás. Seria conformismo? Será que todos já sabiam mesmo que a vida era apenas uma dor transmitida de geração em geração, ou ele era o único no mundo a se sentir daquele jeito?


Parou em frente à banca de jornal e leu algumas manchetes. Havia muita desgraça e nenhuma notícia que pudesse considerar boa. Pensou que havia gente com muito mais problemas e dor do que ele. Havia morte, doenças, miséria, guerra, violência e o roubo deslavado da política. Havia desencontros, filhos que perdem os pais, amores que se separam, fortunas que se dissolvem da noite para o dia, desgraças de todo o tipo. Havia fome, medo, desesperança e solidão. Mas não havia ninguém que sentisse o que ele sentia. Não havia ninguém que se sentisse tão inútil e tão perdido em sua própria vida. Pelo menos era o que os jornais diziam.


(trecho do romance inédito "O Castelo da Não Existência")


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

IMPERMANÊNCIAS 62


Alma entreaberta




"A alma deveria estar sempre entreaberta,
de tal forma que se o céu a solicitasse,
ele não tivesse que ser obrigado a esperar".
(Emily Dickinson)


...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

IMPERTINÊNCIAS 61

And so...

So this is Christmas
and what have you done...

(e quando começa a tocar a versão de Simone - Socorro!!!!!!!)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

IMPERMANÊNCIAS 61


Mundo Pequeno

(Manoel de Barros)



O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos

Conheço de palma os dementes de rio.
Fui amigo do Bugre Felisdônio, de Ignácio Rayzama e de Rogaciano.
Todos catavam pregos na beira do rio para enfiar no horizonte.
Um dia encontrei Felisdônio comendo papel nas ruas de Corumbá.
Me disse que as coisas que não existem são mais bonitas.

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(excerto do poema "Mundo Pequeno" de "O Livro das Ignorãças")

sábado, 20 de dezembro de 2008

IMPERTINÊNCIAS 60



Tudo


Tudo o que há de vago em teu olhar
É o que me afaga

...

IMPERMANÊNCIAS 60


Tudo



O que há de vasto em teu olhar
É que o que me basta

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