terça-feira, 29 de abril de 2008
INTERMEZZO - POST 100
Ariel e Calibã
PROSPERO:
"You do look, my son, in a moved sort,
As if you were dismay'd: be cheerful, sir.
Our revels now are ended.
These our actors,
As I foretold you, were all spirits and
Are melted into air, into thin air:
And, like the baseless fabric of this vision,
The cloud-capp'd towers, the gorgeous palaces,
The solemn temples, the great globe itself,
Ye all which it inherit, shall dissolve
And, like this insubstantial pageant faded,
Leave not a rack behind.
We are such stuff
As dreams are made on,
And our little life
Is rounded with a sleep.
Sir, I am vex'd;
Bear with my weakness; my, brain is troubled:
Be not disturb'd with my infirmity:
If you be pleased, retire into my cell
And there repose: a turn or two I'll walk,
To still my beating mind."
FERDINAND AND MIRANDA
"We wish your peace."
"THE TEMPEST" - Act 4 - Scene 1
William Shakespeare
segunda-feira, 28 de abril de 2008
IMPERTINÊNCIAS 30
Falso Yakissoba

Foi num dia de falta de shoyu em casa que acabei inventando esse falso yakissoba. Gostei e ele se tornou um dos meus pratos favoritos. É fácil de fazer e muito gostoso, permitindo variações.
Ingredientes:
500 g de frango cortado em pedacinhos
200 g de brócolis
200 g de couve flor
200 g de cenoura cortada em rodelas
100 g de manteiga
300 g de macarrão japonês (pode ser miojo)
Preparo:
Coloque metade da manteiga numa panela e dê uma leve fritada no frango. Desligue o fogo e adicione o brócolis e a couve-flôr separados em galhinhos médios. Depois coloque a cenoura e então cubra com água. Ponha sal a gosto. Ligue de novo o fogo (baixo) e cozinhe até o frango e os vegetais estarem macios (mas antes de estarem se desmanchando – o ponto é quando o garfo entrar fácil e não partir o vegetal). Adicione o macarrão (se precisar, coloque mais um pouco de água quente para o macarrão poder cozinhar). Depois de três a cinco minutos, o macarrão está pronto. Escorra a água, coloque o restante da manteiga e dê mais uma leve fritada.
O rendimento é para três a quatro pessoas, mas é só aumentar na proporção os ingredientes para servir mais.
domingo, 27 de abril de 2008
IMPERMANÊNCIAS 30
Definitivamente, talvez

Fui ontem ver a comédia romântica “Três Vezes Amor” (Definitely, Maybe) e gostei bastante. Um filme leve sem ser bobo, com humor inteligente e um roteiro muito bem estruturado pelo próprio diretor Adam Brooks.
A história é simples: para explicar à filha de dez anos o porquê de estar se separando da mãe dela, o pai a conta a ela os três principais relacionamentos de sua vida.
Nesse retorno ao passado, ele acaba passando a limpo esses relacionamentos e descobrindo coisas diferentes sobre o que viveu.
Os casos vão sendo contados e vão recebendo os
comentários da menina, o que rende boas risadas. Aliás, a garotinha Maya (Abigail Breslin de Pequena Miss Sunshine) é uma das grandes atrações do filme.Rachel Weisz e Kevin Kline também estão bem, além da atriz Isla Fisher, que realmente é uma gracinha.
O roteiro traz uma série de idas e vindas do tipo Harry & Sally e tem final – até certo ponto – surpreendente. Principalmente para os brasileiros, para quem o título do filme é Três Vezes Amor. O título em inglês: “Definitely, Maybe” dá uma pista já no meio do filme de como vai acabar.

De qualquer forma, vale o ingresso, a pipoca, o refrigerante e o lencinho de papel.
sábado, 26 de abril de 2008
INVENTÁRIOS 29
Homúnculos

(Continuação da série de posts "INVENTÁRIOS")
Depois da fase de namoros destrutivos, Beth entrou numa etapa de relacionamentos superficiais. Foi no primeiro ano de faculdade, num período de descoberta de um sentimento de independência da família e de pertinência a um novo grupo que mudou sua maneira de ver a si mesma.
Sentia-se mais segura e não queria depender mais de ninguém. O grupo de amigos e colegas lhe dava o apoio, a aceitação e o afeto de que precisava. Bastava obedecer ao código silencioso de regras da turma, que ela conseguia o que mais queria.
Era divertido e abria as portas de um mundo novo para Beth. E o único custo era, em alguns momentos, abrir mão de ser ela mesma, fingir gostar de um ou outro filme ou livro, vestir-se de um jeito aprovado pelo grupo, portar-se como todos e ir aos lugares certos, que ela estava dentro.
Havia muitas festas, bebida, fumo e alguns comprimidos de vez em quando. E discussões intelectuais intermináveis cheias de ironias, citações, sarcasmo e uma certa competição não assumida. Mas era sempre muito divertido.
Beth já não precisava ter ao seu lado um homem que lhe dissesse que tinha valor, que lhe mostrasse como fazer, que lhe fizesse sofrer para mostrar que amava e vivia intensamente. O grupo fazia tudo isso, com a vantagem de que era muito mais fácil conviver e enfrentar as coisas de uma maneira pulverizada do que encarar o desespero de depender das flutuações de humor de uma só pessoa.
Sem a busca do amor idealizado que antes ela tanto aspirava, Beth passou a aproveitar as companhias fugazes que passavam por sua vida. Nesta época, ficou com muitos meninos e algumas meninas. Transava quando achava interessante e algumas vezes foi muito feliz. Em outras, nem tanto. Mas o saldo era sempre positivo e não havia muito tempo a perder.
A internet era o maior canal de comunicação de Beth com o mundo. Seu cordão umbilical de bits. De manhã, ao ligar o computador, o que Beth mais queria era ter recebido o maior número de e-mails, mensagens, scraps, testemunhos no orkut, posts em seu blog.
Era uma forma de sentir que era amada, desejada, querida, aprovada. Mantinha contato com um grande número de garotos e a cada dia conhecia novos paqueras pela internet. Alguns viravam “ficantes”, outros estavam sempre ali, numa brincadeira de conquista e sedução que deixava as portas abertas para o que pudesse vir a ser.
Beth mandava mensagens e e-mails para todos que podia. Devido ao grande número de correspondentes, abusava do “copy and paste”, o copiar e colar. Mandava mensagens iguais ou quase iguais para muitos meninos e, às vezes, nem sabia mais o que tinha dito e a quem.
E seu relacionamentos também começaram a virar, cada vez mais, uma seqüência de “copy and paste”. Ela repetia comportamentos, palavras e gestos de carinho. Era como se ela se relacionasse sempre com a mesma pessoa e só o nome mudasse com o passar do tempo. O sentimento era o mesmo, as sensações as mesmas, o prazer o mesmo.
As palavras soavam iguais, os beijos tinham o mesmo gosto, os orgasmos eras repetições de repetições de repetições. Quem era o outro, nessa relação, passou a ser um mero detalhe. Era sempre Beth e o outro, por mais que a pessoa que estava com ela mudasse.
Depois de um tempo, começou a ficar enjoativo e a única coisa que ocorreu a Beth era que precisava de mais e ela aumentava o ritmo. Precisava desse outro, fosse quem fosse e queria mais. As festas intermináveis exigiam mais energia e foi nesse período que Beth conheceu a cocaína. Algo que dava um colorido emprestado àqueles relacionamentos pálidos.
E os relacionamentos foram se apagando e a cocaína tornou-se mais brilhante para Beth a ponto de ela não conceber qualquer tipo de diversão sem o pó. As festas e “ficantes” foram ficando para trás e só a cocaína permaneceu. O pó passou a ser o “outro” de Beth.
E mais uma vez ela encontrou algo que lhe dizia que tinha valor, que lhe mostrava como fazer as coisas e que lhe fazia sofrer para mostrar que amava e vivia intensamente.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
IMPERTINÊNCIAS 29
Caminhada (Samba do João)

João, meu amigo João,
Como vai você?
João, meu amigo João,
O qu’eu posso fazer?
Pr’a sobreviver (2x)
Nesse fuzuê (2x)
Não suporto mais (2x)
Já não tenho paz (2x)
João, meu amigo João,
Diz por onde é
João, meu amigo João,
O caminho da fé
Qu’eu quero andar (2x)
E me encontrar (2x)
Ouvir o coração (2x)
Transpirar paixão (2x)
João, meu amigo João,
Vê se diz pr’a mim
João, meu amigo João,
Quando chega o fim
Esse meu sofrer (2x)
Eu quero viver (2x)
João vê se me diz (2x)
Quero ser feliz (2x)
João, meu amigo João,
Vou me despedir
João, meu amigo João,
Pois j’é hora de ir
Valei Nosso Senhor (2x)
Tenho um grande amor (2x)
(Breque)
Eu já conheço a estrada
E a luz dessa caminhada
Leva pro meu bem.
Wilson Gasino
segunda-feira, 21 de abril de 2008
IMPERMANÊNCIAS 29
Sede

Vestido de sombra, sede e solidão,
o beduíno percorre um deserto sem nome e sem fim.
Dentro se si traz uma sombra tão grande
que faria noite do mais claro dos dias
A sede é o silêncio e o deserto é o labirinto
sem paredes da sua liberdade
Procura respostas para uma pergunta que já esqueceu
e a areia consome seus olhos
Um oásis perdido, um mar morto, talvez
Uma caravana cheia de ouro e jóias que se afundou no infinito das dunas
Havia muitas palavras em seu silêncio
e havia um vento incontrolável em seu coração.
Sorriu, mas havia muita dor em seu sorriso...
Wilson Gasino
domingo, 20 de abril de 2008
INVENTÁRIOS 28

(Continuação da série de posts “INVENTÁRIOS”)
Beth virou-se e correu na direção da porta. Não conseguia respirar e parecia que tudo ao seu redor ia ficando cada vez mais escuro. Ouviu passos ruidosos e arrastados atrás de si e começou a perder o controle.
Não queria ficar ali. Não queria de novo ser vítima daquele monstro. Sabia que tinha de enfrentá-lo, mas estava tudo escuro, ela não tinha nada nas mãos e estava apavorada.
Chegou diante da porta e tentou abrir, mas não havia maçaneta do lado de dentro. Bateu desesperada. – Inútil – pensou em meio ao pânico. Ela sabia que não havia ninguém do outro lado. Ninguém para ajudá-la.
Ouviu uma espécie de grunhido alguns metros às suas costas. Tentando recobrar o controle, lembrou da pequena chave estranha e começou a procurar nos bolsos. Nada. Talvez tivesse deixado cair ao entrar e não lembrasse porque naquela hora estava transtornada.
Abaixou-se e tateou o chão à sua volta, mas só sentia pó e teias de aranha. – Luz – pensou – preciso de luz, preciso de alguma coisa, preciso de... fogo!!
Imediatamente o quarto se iluminou com várias tochas acesas. Olhou para o chão e viu a pequena chave estranha brilhando. Apanhou-a, ergueu-se e virou-se. O homenzarrão estava parado, parecia assustado.
Beth olhou bem para o monstro à sua frente. Era horrendo. Tinha os dentes pontiagudos e sujos de sangue e uma barba desgrenhada que descia até o peito.
Mas o olhar lhe parecia familiar. Eram olhos pequenos, como os de Beth e – identificou – eram iguais aos que ela vira muitas vezes no espelho, em seus momentos de desilusão e desespero.
Animada pela luz, Beth encheu-se de coragem e levantou o braço exibindo a chavinha que acabara de encontrar. O monstro se encolheu e caiu de joelhos. Beth se aproximou e tomou a faca das mãos dele.
O homenzarrão agarrou-se aos pés dela como quem pede clemência, mas ela o afastou com energia. Viu ao fundo do quarto uma porta trancada.
Caminhou até lá desviando dos pedaços de corpos pelo chão. Com a chavinha estranha abriu a porta e viu lá fora um lindo jardim iluminado por um dia maravilhoso.
Chamou o monstro:
- Agora vá e queime todos esses corpos e depois enterre as cinzas. Vou levar a faca comigo. Você não vai mais usá-la. Você fica aqui e quando eu precisar, vou chamá-lo.
O monstro aquiesceu.
Beth atravessou o quarto e abriu a porta que dava para o corredor. Deixou-a aberta. Guardou a faquinha e a chave no bolso. E acordou.
