O amor insubstantivo
No conto "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius", o escritor argentino Jorge Luis Borges fala de um mundo misterioso chamado Tlön onde a linguagem dos habitantes não usa substantivos. Os habitantes desse mundo não vêem as coisas de forma espacial, apenas temporal. Assim, as coisas são designadas através de verbos, numa espécie de continuum.
Lá não existe a lua, mas o lunar, não existe o rio, mas o duradouro-fluir. E o amor, nesse mundo, seria o amar. Nunca estanque, nunca estático, nunca contingente, apenas fluido e em movimento.
Talvez os habitantes de Tlön tenham chegado a um conceito mais próximo das coisas como realmente são e, por extensão, do que é o verdadeiro amor: um eterno mover-se.
