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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

IMPERTINÊNCIAS 11


A Imperatriz

A carta de número 3 do Tarô é a Imperatriz, que representa o princípio feminino em sua forma mais exuberante, ligado à natureza luxuriante, à reprodução, à fertilidade, ao sexo, à riqueza e à inteligência sutil.
Ao contrário da Papisa (ou Sacerdotisa) que é intuitiva, a Imperatriz tem os pés no chão, conhece o mundo concreto e sabe lidar com ele utilizando, da melhor forma possível, todos os seus atributos físicos e intelectuais. Se a Papisa representa a gestação, a Imperatriz é a geração e a criação.
É o princípio feminino quando mais se aproxima do masculino, tornando-se ativo e criador. Na comparação com a mitologia clássica, o paralelo seria com a deusa do amor e da beleza Vênus (ou Afrodite para os gregos). E também tem proximidade com a deusa mãe egípcia Ísis
Numa realidade mais próxima à nossa, o arquétipo da Imperatriz pode ser identificado com o orixá africano Iemanjá, a rainha das águas. É a grande mãe, a mãe de toda a vida, com sua riqueza profunda e sua postura ao mesmo tempo cheia de generosidade e cobrança.


Na mitologia grega, a deusa Vênus nasceu quando Cronos, deus do tempo, cortou os órgãos sexuais de seu pai Urano, o Céu, e os atirou ao mar. O esperma de Urano formou uma espuma branca que, misturada ao mar, deu origem à deusa. Assim, ela é a própria beleza das ondas e a leveza da espuma. Do casamento do Céu com o Mar, num corte (lapso) do Tempo, ela nasce. Vênus é mãe de Eros, o amor, o impulso erótico. É através de Eros que todas as criaturas se unem para se reproduzir e que a vida se perpetua. Assim, a raiz do arquétipo A Imperatriz é a própria energia que une princípios opostos para que juntos criem algo novo e, então, os faz florescer.