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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

IMPERTINÊNCIAS 47


Fragmento da canção 129

Francesco Petrarca

Ove porge ombra un pino alto od un colle
talor m'arresto, et pur nel primo sasso
disegno co la mente il suo bel viso.
Poi ch'a me torno, trovo il petto molle
de la pietate; et alor dico: Ahi, lasso,
dove se' giunto! et onde se' diviso!
Ma mentre tener fiso
posso al primo pensier la mente vaga,
et mirar lei, et oblïar me stesso,
sento Amor sí da presso,
che del suo proprio error l'alma s'appaga:
in tante parti et sí bella la veggio,
che se l'error durasse, altro non cheggio.
Onde deita sombra um alto pinheiro, ou numa colina
às vezes eu paro e na primeira pedra
desenho com a mente o seu lindo rosto.
Quando volto a mim, tenho o peito encharcado
de lágrimas de ternura; e então digo: – Infeliz!
em que estado te achas! e de que te separaste!
Mas enquanto posso guardar fixo
no primeiro pensamento a mente errante,
e mirá-la e esquecer-me de mim,
sinto o Amor tão perto,
que do seu próprio engano a alma se contenta:
em tantas partes eu assim bela a vejo,
que se o erro durasse, outro não quereria.