Fragmento da canção 129
Francesco Petrarca
| Ove porge ombra un pino alto od un colle talor m'arresto, et pur nel primo sasso disegno co la mente il suo bel viso. Poi ch'a me torno, trovo il petto molle de la pietate; et alor dico: Ahi, lasso, dove se' giunto! et onde se' diviso! Ma mentre tener fiso posso al primo pensier la mente vaga, et mirar lei, et oblïar me stesso, sento Amor sí da presso, che del suo proprio error l'alma s'appaga: in tante parti et sí bella la veggio, che se l'error durasse, altro non cheggio. | Onde deita sombra um alto pinheiro, ou numa colina às vezes eu paro e na primeira pedra desenho com a mente o seu lindo rosto. Quando volto a mim, tenho o peito encharcado de lágrimas de ternura; e então digo: – Infeliz! em que estado te achas! e de que te separaste! Mas enquanto posso guardar fixo no primeiro pensamento a mente errante, e mirá-la e esquecer-me de mim, sinto o Amor tão perto, que do seu próprio engano a alma se contenta: em tantas partes eu assim bela a vejo, que se o erro durasse, outro não quereria. |
