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segunda-feira, 26 de maio de 2008
IMPERTINÊNCIAS 35
Escolhas
Costumo, à noitinha, meter-me pelo meio do meu povo, rodeando-o com o silêncio do meu amor. E vejo a angústia invadir quer o inquieto, exclusivamente deslumbrado por aquilo que brilha com uma luz inútil, quer o poeta cheio de amor pelos poemas, mas que nunca escreveu o seu, quer a mulher apaixonada pelo amor, mas incapaz de devir por não saber escolher. Eles bem sabem que eu os curaria da angústia se lhes permitisse esse dom que exige sacrifício e escolha e esquecimento do universo. Porque determinada flor é, em primeiro lugar, uma renúncia a todas as outras flores. E, no entanto, só com esta condição é bela.
Antoine de Saint-Exupéry – “Cidadela”
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